Prazer: a chave do projeto

Já organizou sua viagem para o planeta Tênis?

Escolhendo o destino

Dentro de mais ou menos um mês, a temporada aqui na França vai recomeçar. Aqui as inscrições são frequentemente feitas por ano. Mas por que começar o texto falando disso? Porque vai começar mais uma viagem ao planeta “Tênis”.
Em cada começo de ano me coloco as mesmas questões:

  • O que leva um(a) jogador(a) a seguir o seu projeto esportivo?
  •  Por que esse(a) aluno(a) está aqui?
  • O que vai levar esse(a) aluno(a) a voltar para a quadra?
  • Mas, no final das contas, o que vai fazer com que ele(a) continue jogando
  • O que vai levar essa pessoa a continuar inscrita aqui no clube?
  • Finalmente, eu me pergunto: “qual o seu projeto esportivo?”
  • Qual o destino final da sua viagem?

Eu acredito que o termo “projeto esportivo” não é destinado unicamente àquele(a) jogador(a) que participa das competições.
“Poxa, mas isso é o maior pensamento de mercenário!”
Talvez, mas o que me interessa é que essa pessoa possa ter as melhores condições possíveis para progredir no tênis e, consequentemente, no seu projeto.

Para mim, qualquer pessoa que entra numa quadra de tênis para jogar tem um projeto esportivo. Evidentemente, uma pergunta pede outra…
“Como definir esse projeto esportivo?”

A simples questão: “o que você quer?” pode ser uma excelente forma de iniciar o projeto esportivo. Atenção: as perguntas são simples, mas o procedimento não é tão evidente assim, pois abrimos as portas para uma quantidade infinita de respostas. Será que estamos preparados para ouvir qualquer resposta, possível ou impossível?

Bom, selecionei algumas respostas que já ouvi:

  • Entrar no minitênis para ganhar da minha mamãe;
  • Aprender para jogar tênis com meu filho, que já  pratica o esporte há 5 anos;
  • Melhorar meu segundo saque, pois só empurro a bola;
  • Dominar os efeitos;
  • Jogar tênis numa universidade americana;
  • Jogar com meus amigos, pois todos jogam tênis;
  • Ter aula porque é o único momento da semana em que eu alivio a pressão do dia a dia;
  • Treinar para ganhar do “baloeiro” do clube;
  • Aprender a atacar aquela bola mole que aparece no meio da quadra;
  • Passar um bom momento com os amigos;
  • Entrar nos 10 primeiros do ranking nacional.

O que há de comum em todos esses itens?
Todas essas pessoas têm um projeto esportivo e disseram claramente o que querem. Para mim, o grande charme dessa viagem é que estamos em constante observação para nos adaptarmos e guiarmos da melhor forma possível o(a) nosso(a) aluno(a).
Automaticamente me pergunto: qual é o papel do professor nesse caminho que será pontuado de obstáculos?
Pois é, caros professores de tênis, quando um aluno se inscreve ou paga a sua mensalidade na nossa escola é porque há uma boa razão. Nossa missão é identificar o seu projeto e construir a “sinalização” — critérios que permitirão que a pessoa chegue no destino final. Cabe a nós relembrar e dar parâmetros ao(à) aluno(a) para que ele(a) mantenha o foco no seu objetivo. Aliás, falando de critérios, acredito com convicção que devem depender unicamente do(a) próprio(a) jogador(a). Pessoalmente, penso que é a melhor maneira de avaliar o progresso do(a) aluno(a).

Parando para abastecer
O progresso frequentemente é um dos itens mais citados pelos alunos. Mas como ser objetivo sobre o progresso do jogador? Frequentemente eu pergunto para um jogador: “o que você quer para essa partida?” E a resposta é a mais evidente possível:  “eu quero ganhar”. O problema é que ganhar não depende exclusivamente do jogador… Quando você bate um super forehand na paralela, você pode ter certeza de que, se seu adversário for o Rafael Nadal, a bola não vai voltar da mesma forma que se fosse o Rafael Medeiros (eu mesmo). O que quero dizer é que o resultado pode ser um grande “maquiador” do progresso.  
E aí, ganhar é um bom critério?
Também ouço e leio com frequência frases de efeito do tipo “no pain, no gain”, “work hard, play hard”. É verdade, para progredir é preciso foco, disciplina, determinação e mais um monte dessas palavras impactantes. Mas qual é o combustível que vai levar o(a) aluno(a) a percorrer as diferentes etapas do seu caminho? Pois a verdadeira perda é alguém parar de jogar. Não podemos deixar o tanque vazio…

Preparando o bom combustível
Aqui vão alguns comentários que, para mim, traduzem esse combustível:

  • Eu gosto de correr e sentir que fisicamente estou cansado;
  • Meu negócio é vir jogar em equipe com os amigos;
  • Eu adoro quando bato na bola e ela sai da minha raquete com facilidade, sem muito esforço;
  • Meu barato é vir conversar com os amigos depois do jogo;
  • Me amarro quando boto meu(minha) adversário(a) para correr e ele(a) visita os quatro cantos da quadra;
  • Ah, para mim jogar tênis é subir a rede;
  • O que eu gosto mesmo é da forma como meu professor lida com a gente… muito gente boa;
  • Desafiar pessoas mais fortes do que eu é meu grande lance;
  • Se eu não jogar no torneio, o tênis não tem sentido.

Mais uma vez, o que há de comum em todas essas frases?
É a noção de “prazer”! Esse é o combustível que deve ser injetado sistematicamente no(a) seu(sua) aluno(a).
Amigos(as) professores(as), se não questionarmos nossos(as) alunos(as), não saberemos aonde eles(as) querem chegar, por quais etapas eles(as) vão passar, mas, principalmente, como motivá-los(as).
Se o prazer estiver presente, o projeto esportivo ficará vivo no seu coração!
Se você chegou até aqui, deve ter entendido que eu gosto de questões. Então… Qual é o seu prazer quando você joga?

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