Praticando tênis em grupo

Escrevo este texto não apenas como psicóloga clínica e esportiva, acompanhando crianças, adolescentes e adultos, mas também como tenista, esposa de tenista e mãe de uma duplinha que me ensina muito dentro e fora das quadras todos os dias. Minhas pequenas atletas, de 7 e 10 anos, fazem parte do time Tenis + e vivenciam grandes experiências ao lado de amigos que conquistaram durante a prática deste belo esporte.

 A cada dia nos encantamos mais pelo tênis e enriquecemos nossa bagagem. Transformamos nossos adversários dentro de quadra em amigos na vida, nos divertimos a cada jogo, aprendemos a (re)conhecer nossos limites técnicos, táticos, físicos e mentais, bem como corremos atrás, nos treinos, para ultrapassá-los. Buscamos ensinar para nossas filhas não apenas as regras desta modalidade esportiva, mas principalmente as regras da vida através dela – respeitar o outro e as normas, procurar sempre fazer o seu melhor, manter o companheirismo, acreditar em si, a ser humilde para tratar as pessoas e para aprender sempre mais, a entender a vitória e a derrota, a lidar com a frustração… enfim, impossível traduzir o quanto o esporte nos auxilia na criação das pequenas.

Costumo dizer que o tênis, embora considerado um esporte individual, na prática, não se configura assim. Quando entramos em quadra, por mais focados que estejamos, não estamos sozinhos com nossos pensamentos e objetivos, pois dividimos nosso espaço com um professor, parceiros de treino e adversários. O jogo nos faz sair da zona de conforto, podendo até gerar uma sensação de mal estar pelo receio de não conseguir um bom desempenho. Mas sabemos a delícia que é vivenciar a energia de jogar um torneio, por exemplo, de estar em meio a tantas pessoas que, assim como nós, também se encantam pelo esporte que escolhemos. Outros jogos acontecem apenas como uma forma de diversão entre amigos. E quem nunca saiu renovado após uma partida destas? O fato é que nunca saímos da quadra da mesma forma como entramos, mas sim com uma bagagem imensurável.

 Cada tenista é único, incomparável, com sua personalidade e características físicas, além de suas exclusivas vivências familiares e sociais. Nossa identidade se constrói muito a partir do que vivenciamos em nosso meio e das nossas relações interpessoais. O convívio com pessoas da nossa faixa etária ou grupo é fundamental neste processo. Pais e treinadores são nossas maiores referências no esporte. Porém, isso se estende também a quem convivemos, visto que é com colegas e amigos que dividimos nosso dia a dia, nossas experiências dentro e fora de quadra, nossos sentimentos, o reconhecimento dos nossos limites no jogo, o apoio para avançarmos, o companheirismo nas brincadeiras e a aprendizagem nas viagens para torneios, entre outras tantas.

 Você já experimentou treinar em grupo? Independente da faixa etária, percebo inúmeros benefícios neste tipo de aula, pois desenvolvemos o que chamamos na Psicologia de “Aprendizagem Social”. Quando treinamos ao lado de outras pessoas, aprendemos não apenas com nossos erros e acertos, mas, também observamos e processamos as experiências dos nossos colegas e tomamos, então, nossas atitudes. É impressionante o quanto nos complementamos em quadra e nos inspiramos com boas ações esportivas dos parceiros, ao mesmo tempo que servimos de modelos também.

 No esporte e na vida, cada fase do desenvolvimento nos traz experiências enriquecedoras no treino em conjunto. Na infância, por exemplo, a prática do tênis deve ser ensinada com muita ludicidade. O esporte, praticado com outras crianças, mistura brincadeira e aprendizado de conceitos, educação das atitudes saudáveis dentro e fora de quadra, além do desenvolvimento de habilidades motoras e interpessoais.

 Já a fase da pré-adolescência e da adolescência propriamente dita traz um período de grandes mudanças, das mais variadas ordens. Além da reestruturação biológica, há uma grande mudança de nível de pensamento e um misto de emoções para organizar. Muitos conceitos são colocados em xeque e há uma busca por afirmação de sua identidade. O grupo passa a ter um peso ainda mais especial. Neste período, praticar um esporte com outros colegas pode auxiliar o adolescente a passar por este processo, dando-lhe um acolhimento e um sentimento de pertencer a algum lugar. É nesta fase que ocorre um “repensar” até mesmo na sequência dos treinamentos, por isso compartilhar vivências pode ser de grande valia.

 Na vida adulta, exceto aqueles que treinam profissionalmente, a prática de aulas em grupo também ocorre e de forma mais leve. É inegável a correria do dia a dia para dar conta de todos os afazeres, trabalho, família, compromissos… Nada mais divertido que reunir pessoas para jogar – com perdão do trocadilho – literalmente o estresse para o alto. Além disso, sabemos que o tênis é um belo esporte para cuidarmos da saúde física e mental.

 Cá pra nós, é sempre válido nos reavaliarmos constantemente, nos desafiarmos, repensar em como lidamos com as frustrações, estarmos abertos a aprender sempre mais, criarmos objetivos dentro e fora dos limites da quadra. Isso é o que nos mantém vivos, ativos e com brilho no olhar! Afinal, somos no saibro quem somos fora dele.

 Até a próxima!

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