Estude fora com o tênis! (parte 1)

Estudar fora do país é algo que provavelmente passa pela cabeça de muitos jovens brasileiros. Afinal, ter uma experiência internacional abre um leque de possibilidades e proporciona um grande desenvolvimento pessoal e profissional. Para quem é atleta, há muitas oportunidades de bolsas de estudo, principalmente nos Estados Unidos. Neste país, o esporte é muito valorizado, e por isso a sua prática é bastante incentivada. Nós, da Tênis+, conversamos com alguns tenistas brasileiros que trilharam esse caminho. Nesta nova série, “Estude fora com o tênis!”, divulgaremos relatos com as suas experiências ao longo desse processo.

O primeiro entrevistado é o Guilherme Dumit, de 21 anos, que é brasileiro e joga tênis desde criança. A sua paixão pelo esporte o motivou a sonhar alto e, assim, conquistar uma bolsa de estudo nos Estados Unidos, na Rollins College. Em seu depoimento, ele nos conta como foi a sua experiência com o processo de admissão e quais foram os principais desafios enfrentados até hoje.

“Originalmente de Jaú, me mudei para Ribeirão Preto aos 10 anos. Desde então, intensifiquei meus treinamentos no tênis e no condicionamento físico. Como qualquer jogador, o começo foi sempre difícil e o tênis parecia não ser o caminho certo. Aos 14 anos, alguns resultados começaram a aparecer e figurei entre os melhores jogadores do Brasil das minhas respectivas idades entre os anos de 2010 a 2014.
Foi em 2010 que eu ouvi pela primeira vez que havia a chance de estudar nos Estados Unidos com uma bolsa de estudo (scholarship). Desde então, minha cabeça se voltou totalmente à ideia de que isso era algo tangível e que meus esforços para melhorar no tênis agora tinham uma meta a longo prazo. Cada exercício a mais que eu fazia significava um passo a menos na distância até minha universidade

Desde o início, o apoio dos meus pais foi extremamente importante. Assim, como todos os pais, que não querem ver seus filhos saindo de casa, eles sempre me disseram que, se eu quisesse mesmo alcançar minha meta, teria que trabalhar duro para isso. Daquele momento em diante, o calendário de torneios foi voltado para a minha “aparência” nacional e, consequentemente, para o meu branding, ou, em outras palavras, o aumento do valor da minha “marca” na visão dos técnicos americanos.

Além dos treinos específicos com vários dos meus treinadores, por todo esse período — como Adriano e Vinicius Ferreira e toda a equipe do AF Sports, Elson Longo, Diogo Stoll (e muitas outras pessoas que merecem menção, e que sabem a importância que tiveram na minha carreira) —, meus estudos foram parte extremamente importante do processo de admissão. Sem dúvida alguma, houve várias ocasiões em que eu optei por não comparecer a sessões de treinamento para estudar ainda mais. Naquele momento, eu não poderia arriscar que notas impedissem minha admissão em uma ótima universidade. E, por isso, não me arrependo nunca por essas escolhas.

Em 2014, em uma decisão que mirava a melhora dos meus treinos, me mudei para São Carlos, onde conheci o meu então preparador físico, Diogo Stoll, hoje sócio-fundador da Tênis+. Naquela época, meu treinamento se tornou algo maior que puramente técnico e físico, mas extremamente mental, ao ponto de entender que os desafios nunca eram realmente 100% físicos. Pelo contrário, aprendi então que o tênis se tornava cada vez mais fácil quando eu controlava o ambiente em que estava jogando, facilitando minhas escolhas. Carrego essa e várias outras lições como essenciais nos meus dias de hoje.

Com a ajuda da empresa Daquiprafora, meu processo de seleção se iniciou no fim de 2013 e foi até meados de julho de 2014. Foram várias reuniões e importantes datas a serem consideradas nos quesitos de exames (TOEFL e SAT são os exames necessários para admissão nas universidades americanas) e também na escolha da universidade que melhor atenderia aos meus requisitos. Recebi propostas de várias formas, de algumas universidades grandes e de outras menores. Participei de aproximadamente cinco entrevistas e, no fim, me apaixonei pela universidade e pelo time que eram os menos esperados pela Daquiprafora.

Chegando na Rollins College, em Winter Park (Florida), eu não tinha tanto espaço no time. Mais que um calouro, eu era alguém que estava longe de conseguir uma posição como titular ou ao menos lutar por uma vaga. Mesmo sendo mais difícil, era aquilo que me motivava. Eu sabia que era mentalmente forte o suficiente para conseguir alcançar algo grande naquele time. Aliás, eu tinha várias outras coisas para me preocupar. Novas aulas, novo ritmo de estudos, treinamento intenso todos os dias duas vezes por semana. Tudo isso e eu só estava tentando achar um ritmo ou uma rotina que me fizesse melhor na parte acadêmica e também no tênis.

Hoje em dia, rotinas são necessárias para mim. O longo período de férias do verão americano, por exemplo, me entedia se eu não tiver algo a mais para fazer, e por isso rotinas são o melhor exemplo de organização e responsabilidade. Essas foram minhas grandes lições do período em que eu estive aqui até hoje. Fazer as coisas com responsabilidade e da melhor maneira possível são os pilares de qualquer sucesso que eu queira atingir. Aliás, os respectivos capitães sempre usam uma frase que ficou marcada como a mais importante para o time em todas as nossas reuniões: “Sucesso acontece quando há o encontro de preparação e oportunidade”.

Desde então, eu me preparo de forma intensa e responsável para que, quando houver oportunidade, só existam momentos de sucesso.
Por fim, na minha evolução dentro da universidade, o ritmo das aulas já é tão normal que eu consegui manter uma bolsa acadêmica por todos os meus anos como estudante universitário. Por muito da minha persistência, durante meu último ano, tive uma importância maior no time e, neste próximo ano, terei o prazer de usar a tal frase em nossa primeira reunião. Quaisquer que sejam os próximos desafios, me sinto muito mais confiante e forte, e, por isso, só tenho agradecimentos aos meus mentores e apoiadores por me ajudarem a crescer de tal forma.
”Go Tars”.

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